sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Retiro de Meditação


Nesta semana, transmissão do retiro de meditação shamatha com o Prof. Alan Wallace direto do Templo Caminho do Meio.

Se a transmissão não começar nos horários será devido à pratica da meditação e estará começando 40 min depois dos horários abaixo.
De 21 a 29 de janeiro de 2011. 9h - 12h , 14h30 - 17h e 20h - 21h30 (Horário de Brasília).

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Meditação


Não precisamos olhar a vida como algo que mereça indiferença ou indulgência. As situações da vida são o alimento da consciência e da atenção; não podemos meditar sem as depressões e os estímulos que ocorrem na vida. Gastamos os sapatos do samsara caminhando com eles através da prática da meditação. A combinação da atenção com a consciência mantém a jornada. A prática da meditação ou o desenvolvimento espiritual depende, pois, do samsara. De um ponto de vista espacial poderíamos dizer que não existe nem samsara nem nirvana, que fazer a jornada é inútil. No entanto, desde que estamos no chão, é extraordinariamente útil realizá-la.

Chogyam Trungpa
(em O Mito da Liberdade e o Caminho da Meditação, pag 63)

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

DHARMATA

Algumas fotos do encontro com o Lama Samten em Dharmata (Timbaúba/PE).
Vasto e luminoso!!!!












domingo, 16 de janeiro de 2011

A Natureza da Mente - Parte 3


Para estarmos completamente livres do samsara, necessitamos da sabedoria que pode cortar a raiz do samsara, a sabedoria que compreende a não existência do eu. Tal sabedoria depende também do método. Sem a acumulação do método, não podemos fazer surgir a sabedoria. E sem sabedoria, não podemos ter o método certo. Tal como necessitarmos de duas asas para voar no céu, necessitamos de método e sabedoria a fim alcançar a iluminação. O método mais importante, o método mais eficaz, é baseado na bondade amorosa, no amor universal e na compaixão, e destes surgem a bodhichitta, ou o pensamento da iluminação, que é o desejo sincero de alcançar a iluminação perfeita para o benefício de todos os seres sencientes. Quando você tem esse pensamento, então todas as ações corretas e virtuosas são obtidas naturalmente. Por outro lado, você necessita de sabedoria, a sabedoria que compreende a natureza verdadeira de todos os fenômenos, e particularmente da mente — porque a raiz do samsara e do nirvana, tudo, é a mente. O Senhor Buddha disse: "não devemos praticar ações negativas, devemos tentar praticar ações virtuosas, e devemos domesticar a mente." Este é o ensinamento do Buddha. A falha encontra-se em nossa mente selvagem, nós estamos presos ao samsara ou o ciclo da existência. A finalidade de todos os oitenta e quatro mil ensinamentos do Buddha é domesticar a nossa mente. Afinal, tudo é a mente — é a mente que sofre, é a mente que experimenta a felicidade, é a mente que é aprisionada no samsara e é a mente que alcança a liberação ou iluminação. Assim, quando a verdadeira natureza da mente é compreendida, todas as outras coisas externas e internas, são então naturalmente percebidas.

Então, o que é a mente? Se tentarmos investigar onde a mente está, não podemos encontrar a mente em nenhum lugar. Não podemos pegar qualquer parte do corpo e dizer, "Isto é minha mente." Logo, ela não está dentro do corpo, não está fora do corpo, e não está entre o corpo. Se algo existe, tem que ser de forma ou cor específica, mas não podemos encontrá-la em nenhuma forma ou cor. Assim, a natureza da mente é a vacuidade. Mas quando dizemos que tudo é vacuidade e não existe, não significa que não existe convencionalmente. Afinal, é a mente que faz todas as coisas erradas, é a mente que faz todas as coisas certas, é a mente que experimenta o sofrimento e assim por diante. Conseqüentemente, existe naturalmente uma mente — nós não estamos mortos ou inconscientes, mas somos seres vivos conscientes — e existe um fluxo constante de continuidade da consciência. Da mesma forma que a luz da vela que está queimando, a claridade da mente continua constantemente. A característica da mente é a claridade. Você não pode encontrá-la em qualquer forma ou em nenhuma cor ou em nenhum lugar, contudo, há uma claridade que continua constantemente. Esta é a característica da mente. E as duas, claridade e vacuidade, são inseparáveis, como o fogo e o calor do fogo são inseparáveis. A claridade e a vacuidade não podem ser separadas. A inseparabilidade das duas é a essência não fabricada da mente. Para experimentar tal estado, é importante primeiro fazer as práticas preliminares. Também, através das práticas preliminares acumulamos mérito. É melhor meditar sobre a sabedoria do insight. Para isso necessitamos preparar a mente atual, nossa mente ordinária que está constantemente em correntes de pensamentos. Tal mente tão ocupada e agitada não será uma base para a sabedoria do insight. Assim, primeiro temos que construir uma base com a concentração, usando o método correto. Através da concentração, tentamos trazer a mente a um estado muito estável. E em tal claridade estável e unifocada, meditamos então na sabedoria do insight e através desta compreendemos a verdadeira natureza da mente. Mas para perceber isso, necessitamos de uma quantidade tremenda de mérito, e o modo mais eficaz de conseguir o mérito é cultivar a bodhichitta. Assim, com os dois juntos, método e sabedoria, podemos compreender a natureza verdadeira. E quando entendemos a natureza verdadeira, com base nisto e sabedoria crescente, eventualmente atingiremos a realização completa e alcançaremos a iluminação.

Sakya Trizin

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Verdade Suprema



A verdade suprema é realizada através da meditação e não só da análise.
Para meditar, o coração deve ser seguro e à vontade no calor da sua convicção.

Dzigar Kongtrul Riponche

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Natureza da Mente - Parte 2


Feliz ano novo!!! Que em 2011 possamos desenvolver sabedoria, amor e compaixão!!!

Seguem os estudos de S. S. Santidade Sakya Trinzin:

Pensamos que a mente possa ser o eu, mas a mente está realmente mudando de momento a momento. Todo tempo a mente está mudando. E a mente passada já está extinta, já foi. Algo que já foi não pode ser chamado o eu. E a mente futura deve ainda surgir. Algo que deve ainda surgir não pode ser o eu. E a mente presente está mudando todo tempo, está mudando a cada momento. A mente quando éramos bebês e a mente quando somos adultos são muito diferentes. E estas mentes diferentes não ocorrem de imediato. Estão mudando a todo o momento. Algo que está mudando constantemente não pode ser o eu. Portanto, fora o nome, corpo ou mente, não há nenhuma coisa chamada o eu, mas devido ao longo hábito, nós todos temos uma tendência muito forte para se agarrar a um eu. Em vez de ver a verdadeira natureza da mente, nós nos apegamos a um eu sem qualquer razão lógica. E enquanto fizermos isso, é como confundir uma corda colorida com uma serpente. Até nos darmos conta de que não é uma serpente, mas somente uma corda, temos medo e ansiedade. Enquanto nos prendemos a um eu, temos sofrimento. Apegar-se a um eu é a raiz de todos os sofrimentos. Não conhecendo a realidade, não conhecendo a verdadeira natureza da mente, apegamo-nos a um eu. Quando você tem um "eu", naturalmente existem os "outros" — o eu e os outros. O "eu e os "outros" são dependentes do "eu". Justo como direita e esquerda, se houver uma direita, tem que haver uma esquerda. Do mesmo modo, se houver um eu, existem os outros. Quando você tem um eu e outros, então aparece o apego a nosso próprio lado, a nossos amigos e parentes e assim por diante, e surge o ódio aos "outros" de quem você discorda, as pessoas que têm visões diferentes, idéias diferentes. Estes três são os venenos principais que nos mantêm nesta rede dos ilusões, samsara. Basicamente a ignorância de não saber e aderir a um eu, apego ou desejo, e ódio — estes três são os três venenos principais. E destes três, surgem outras impurezas, tais como ciúme, orgulho e assim por diante. E quando você tem estes, você cria ações. E quando você cria ações, é como plantar uma semente em uma terra fértil que no devido tempo renderá resultados. Desta maneira criamos constantemente o karma e somos aprisionados nos reinos da existência.
S.S. Sakya Trizin Ngawang Künga

domingo, 19 de dezembro de 2010

Morder nossos padrões habituais

Chogyam Trungpa

Quando alguém diz "azedo", pode nos lembrar de estar mordendo um limão. Apenas ao ouvir a palavra "azedo", nossa cara faz a expressão de quem está comendo um limão, aqui e agora. O hábito é formado a partir da memória. Frequentemente formatamos a situação presente de acordo com estas memórias habituais. Ao invés de um começo renovado, fresco, repetimos o que fizemos no passado. É mais fácil do que batalhar através de território desconhecido. Assim se desenvolvem os padrões habituais.

Em "Karma e Renascimento", palestra na Naropa University, 1974.

Tradução Carlos Ernesto Oliveira

domingo, 12 de dezembro de 2010

EU MAIOR - Monja Coen

Um lindo vídeo, tocante e insprador. Prostrações para essa grande mestra!!!!

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Reconhecimento da impermanência




[...] Esqueça de ir além do tempo e espaço, já que mesmo ir além dos elogios e críticas parece fora de alcance. Mas quando começamos a compreender, não apenas intelectualmente mas emocionalmente, que todas as coisas compostas são impermanentes, então nosso apego diminui. A convicção de que nossas posses e pensamentos são valiosos, importantes e permanentes começa a se soltar.


Se fossemos avisados de que temos apenas dois dias de vida, nossas ações mudariam. Não ficaríamos preocupados em deixar os sapatos paralelos, em passar ferro na roupa íntima ou colecionar perfumes caros. Poderíamos ainda fazer compras, mas com uma nova atitude.
Se soubermos, mesmo só um pouco, que alguns de nossos conceitos, sentimentos e objetos familiares existem apenas como um sonho, desenvolvemos um senso de humor muito melhor. Reconhecer o humor em nossa situação evita o sofrimento.


Ainda vivenciamos as emoções, mas elas não podem mais nos pregar peças ou nos iludir. Ainda podemos nos apaixonar, mas sem medo de ser rejeitado. Iremos usar nosso melhor perfume e creme facial em vez de guardá-los para uma ocasião especial. Assim, todo dia se torna um dia especial.



quarta-feira, 10 de novembro de 2010

A Natureza da Mente - Parte 1

Um dos principais ensinamentos do Buddha é a lei do karma, o ensinamento que todas as vidas que temos não são sem causa, não são criadas por outros seres e não são por coincidência, mas são criadas por nossas próprias ações. Todas as coisas positivas tais como o amor, vida longa, saúde boa, prosperidade e assim por diante também não são dadas por ninguém.

É através de nossas próprias ações positivas no passado que hoje usufruímos de todas as coisas boas. De modo similar, todos os aspectos negativos, como vida curta, doença, pobreza, etc. e todas as coisas indesejáveis também não são criadas por um agente externo, mas por nossas próprias ações, as ações negativas que cometemos no passado.

Se desejarmos realmente estar livres do sofrimento e experimentar a felicidade, é muito importante trabalhar nas causas. Sem trabalhar nas causas, não podemos esperar produzir quaisquer resultados. Cada e toda coisa devem ter sua própria causa e uma causa completa — as coisas não podem aparecer sem uma causa. As coisas não aparecem do nada, de uma causa errada, ou de uma causa incompleta. Assim, a fonte de todos os sofrimentos são as ações negativas. As ações negativas significam basicamente não conhecer a realidade, não conhecer a verdadeira natureza da mente. Em vez de ver a verdadeira natureza da mente, nos agarramos a um eu sem qualquer razão lógica. Todos nós temos uma tendência natural de aderir a um eu porque estamos acostumados a isso. É um tipo de hábito que formamos desde tempos remotos.

Entretanto, se examinarmos e investigarmos cuidadosamente, não podemos encontrar o eu. Se houver um eu, ele tem que ser corpo, mente ou nome. Primeiro, o nome é vazio por si mesmo. Qualquer nome pode ser dado a qualquer um. Assim o nome é vazio por si mesmo. Do mesmo modo o corpo. Nós dizemos "meu corpo" justo como "minha casa, meu carro, meu lar, meu país" e assim por diante, de modo que o corpo e o "eu" são separados. Se examinarmos cada parte do corpo, não podemos encontrar em nenhum lugar qualquer coisa chamada "eu” ou a identidade. São apenas muitas coisas juntas que formam o que concebemos como o corpo ou o eu. Se investigarmos com cuidado da cabeça ao dedo do pé, não podemos achar em nenhum lugar uma coisa chamada eu. O corpo não é um eu porque tem muitas partes, muitas partes diferentes. As pessoas podem permanecer ainda vivas sem determinadas partes do corpo, assim o corpo não é o eu.


S.S. Sakya Trizin Ngawang Künga

sábado, 23 de outubro de 2010

Quando os mestres choram

Queridos,
Neste maravilhoso vídeo vocês poderam ver os comentário do lama Samten sobre as lágrimas de S. S. Dalai Lama.

Saúde e paz!!!!!


sábado, 2 de outubro de 2010

Emoção genuína de um Buda

Queridos, segue um vídeo emocionante de S.S Dalai Lama dando ensinamentos sobre Bodichita. Emcionante ver a "emoção genuína do Buda da Compaixão, Chenrezig, expresso por S.S O Dalai Lama.
Abaixo do Vídeo segue uma tradução para o português feita pelo querido José, Pema Rinchen.

Amor e paz!!!!!





Sua Santidade:

... dirigir nossa mente para eles isso mostra que temos grande mérito.

Para o Lama é afortunado ter esta oportunidade de ensinar sobre bodichita. Para vocês, os discípulos, também, esta ocasião para a bodichita, a mente altruística que acalenta os outros mais que a si mesmos...

... vocês são afortunados de ouvir um ensinamento sobre ela.

Quem gera essa intenção altruísta se encontrará estabelecendo o caminho para a verdadeira felicidade. Todos nós queremos a felicidade e não queremos sofrer. Certo?

Se você desejar para a verdadeira paz e harmonia, não há nada mais que poderia pedir do que uma reflexão sobre a bodichita. Normalmente, eu acredito e até mesmo digo que, como recitado no Lama Choepa :

Você é o Guru, a Deidade Pessoal, o Anjo, o Protetor do Darma. Como eu não procuro qualquer outro refúgio que você, de agora até a minha iluminação... Por favor, ligue-me com sua compaixão nesta vida, no estado intermediário, e em todas as vidas futuras. Libere-me dos medos da existência e da paz, conceda-me todos os talentos, faça amizade comigo para sempre, e evite todos os obstáculos.

É bodichita, esse bom coração, que é tudo isso. Ela nos ajuda nesta vida e no estado intermediário. Além disso, se for capaz de manter esta mente altruísta, no momento da morte...é absolutamente certo que a próxima vida será boa. Porque?

Um renascimento ruim ocorre devido a ações negativas e estas são purificadas pela intenção altruísta. Uma excelente forma superior de renascimento tem que vir através do mérito e nada excede a intenção altruísta para ganhar mérito.

Por favor, ligue-me com sua compaixão nesta vida, no estado intermediário, e em todas as vidas futuras.

Isso nos liberta de nossa existência no samsara. Como?

Somos lançados ao redor no samsara pelo nosso apego ao ego, que destrói a nós e aos outros. Já que os Bodisatvas inteligentes são capazes de ver isso, como é que eles apreciariam o apego do ego, em qualquer medida? Por que eles deixariam o apego ao ego dominá-los?

Portanto a bodichita nos ajuda a sair do samsara. Embora a bodichita não seja cultivada apenas para o nirvana, ela acontece como um efeito colateral natural dessa prática.É só a bodichita que pode libertar-nos da paz unilateral do nirvana. Nenhum outro caminho pode fazer isto. Quanto à conceda todas bênçãos, a bodichita preenche todos nossos objetivos na vida atual e na próxima, temporária e definitivamente.

Mesmo para as nossas necessidades comuns, como dormir, cultive o espírito altruísta, e você será feliz.

Quando você estiver feliz você será mais saudável e você dormirá mais tranqüilamente,... e seu alimento terá melhor sabor, todos serão seus amigos, até mesmo os pássaros e animais. Que felicidade! Você viverá uma vida mais longa. Você pode não envelhecer prematuramente ou morrer, em última instância. Se você puder pensar na bodichita, esse bom coração, mesmo você sendo jovem, estará em harmonia com todos.

Na meia-idade você não será problemático, mas útil a todos. Se você estiver praticando bodichita, então mesmo quando você ficar velho, vai ser calmo e pacífico.

Caso contrário, se você se tornar uma daquelas pessoas idosas que sempre causam incômodos, seus filhos se queixarão. Pior ainda, os filhos poderiam pensar "Que horror! Estes velhos não morreram ainda!” Mesmo as crianças, se elas são ternas, recebem mais presentes. As crianças que estão sempre brigando ou são cruéis perdem. Elas não recebem presentes e ninguém irá cuidar delas. Se você é gentil você vai ser feliz na infância, na meia idade e na velhice. Você será feliz nesta e nas futuras vidas.

Um bom coração é uma oferenda para agradar o Buda. Desenvolva-o para que todos os Budas e Bodisatvas deleitem-se.

Certo? E nosso coração bondoso será nosso amigo para sempre, quando oramos em Lama Choepa: Por favor, seja meu amigo para sempre. É a bondade que pode evitar os obstáculos. Falei disto antes.

Até agora não encontrei pessoas querendo prejudicar-me. Se elas viessem a mim não tenho certeza se conseguiria reagir com a bodichita. Entretanto, quando estou relaxado eu penso ‘Quem são meus inimigos? Onde estão? Eu sinto pesar por eles.’

Todos seres são nossos ‘amigos’. Não deveríamos excluir os inimigos, os seres que nos impedem ou seres do mal.