terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Natureza da Mente - Parte 2


Feliz ano novo!!! Que em 2011 possamos desenvolver sabedoria, amor e compaixão!!!

Seguem os estudos de S. S. Santidade Sakya Trinzin:

Pensamos que a mente possa ser o eu, mas a mente está realmente mudando de momento a momento. Todo tempo a mente está mudando. E a mente passada já está extinta, já foi. Algo que já foi não pode ser chamado o eu. E a mente futura deve ainda surgir. Algo que deve ainda surgir não pode ser o eu. E a mente presente está mudando todo tempo, está mudando a cada momento. A mente quando éramos bebês e a mente quando somos adultos são muito diferentes. E estas mentes diferentes não ocorrem de imediato. Estão mudando a todo o momento. Algo que está mudando constantemente não pode ser o eu. Portanto, fora o nome, corpo ou mente, não há nenhuma coisa chamada o eu, mas devido ao longo hábito, nós todos temos uma tendência muito forte para se agarrar a um eu. Em vez de ver a verdadeira natureza da mente, nós nos apegamos a um eu sem qualquer razão lógica. E enquanto fizermos isso, é como confundir uma corda colorida com uma serpente. Até nos darmos conta de que não é uma serpente, mas somente uma corda, temos medo e ansiedade. Enquanto nos prendemos a um eu, temos sofrimento. Apegar-se a um eu é a raiz de todos os sofrimentos. Não conhecendo a realidade, não conhecendo a verdadeira natureza da mente, apegamo-nos a um eu. Quando você tem um "eu", naturalmente existem os "outros" — o eu e os outros. O "eu e os "outros" são dependentes do "eu". Justo como direita e esquerda, se houver uma direita, tem que haver uma esquerda. Do mesmo modo, se houver um eu, existem os outros. Quando você tem um eu e outros, então aparece o apego a nosso próprio lado, a nossos amigos e parentes e assim por diante, e surge o ódio aos "outros" de quem você discorda, as pessoas que têm visões diferentes, idéias diferentes. Estes três são os venenos principais que nos mantêm nesta rede dos ilusões, samsara. Basicamente a ignorância de não saber e aderir a um eu, apego ou desejo, e ódio — estes três são os três venenos principais. E destes três, surgem outras impurezas, tais como ciúme, orgulho e assim por diante. E quando você tem estes, você cria ações. E quando você cria ações, é como plantar uma semente em uma terra fértil que no devido tempo renderá resultados. Desta maneira criamos constantemente o karma e somos aprisionados nos reinos da existência.
S.S. Sakya Trizin Ngawang Künga

domingo, 19 de dezembro de 2010

Morder nossos padrões habituais

Chogyam Trungpa

Quando alguém diz "azedo", pode nos lembrar de estar mordendo um limão. Apenas ao ouvir a palavra "azedo", nossa cara faz a expressão de quem está comendo um limão, aqui e agora. O hábito é formado a partir da memória. Frequentemente formatamos a situação presente de acordo com estas memórias habituais. Ao invés de um começo renovado, fresco, repetimos o que fizemos no passado. É mais fácil do que batalhar através de território desconhecido. Assim se desenvolvem os padrões habituais.

Em "Karma e Renascimento", palestra na Naropa University, 1974.

Tradução Carlos Ernesto Oliveira

domingo, 12 de dezembro de 2010

EU MAIOR - Monja Coen

Um lindo vídeo, tocante e insprador. Prostrações para essa grande mestra!!!!

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Reconhecimento da impermanência




[...] Esqueça de ir além do tempo e espaço, já que mesmo ir além dos elogios e críticas parece fora de alcance. Mas quando começamos a compreender, não apenas intelectualmente mas emocionalmente, que todas as coisas compostas são impermanentes, então nosso apego diminui. A convicção de que nossas posses e pensamentos são valiosos, importantes e permanentes começa a se soltar.


Se fossemos avisados de que temos apenas dois dias de vida, nossas ações mudariam. Não ficaríamos preocupados em deixar os sapatos paralelos, em passar ferro na roupa íntima ou colecionar perfumes caros. Poderíamos ainda fazer compras, mas com uma nova atitude.
Se soubermos, mesmo só um pouco, que alguns de nossos conceitos, sentimentos e objetos familiares existem apenas como um sonho, desenvolvemos um senso de humor muito melhor. Reconhecer o humor em nossa situação evita o sofrimento.


Ainda vivenciamos as emoções, mas elas não podem mais nos pregar peças ou nos iludir. Ainda podemos nos apaixonar, mas sem medo de ser rejeitado. Iremos usar nosso melhor perfume e creme facial em vez de guardá-los para uma ocasião especial. Assim, todo dia se torna um dia especial.



quarta-feira, 10 de novembro de 2010

A Natureza da Mente - Parte 1

Um dos principais ensinamentos do Buddha é a lei do karma, o ensinamento que todas as vidas que temos não são sem causa, não são criadas por outros seres e não são por coincidência, mas são criadas por nossas próprias ações. Todas as coisas positivas tais como o amor, vida longa, saúde boa, prosperidade e assim por diante também não são dadas por ninguém.

É através de nossas próprias ações positivas no passado que hoje usufruímos de todas as coisas boas. De modo similar, todos os aspectos negativos, como vida curta, doença, pobreza, etc. e todas as coisas indesejáveis também não são criadas por um agente externo, mas por nossas próprias ações, as ações negativas que cometemos no passado.

Se desejarmos realmente estar livres do sofrimento e experimentar a felicidade, é muito importante trabalhar nas causas. Sem trabalhar nas causas, não podemos esperar produzir quaisquer resultados. Cada e toda coisa devem ter sua própria causa e uma causa completa — as coisas não podem aparecer sem uma causa. As coisas não aparecem do nada, de uma causa errada, ou de uma causa incompleta. Assim, a fonte de todos os sofrimentos são as ações negativas. As ações negativas significam basicamente não conhecer a realidade, não conhecer a verdadeira natureza da mente. Em vez de ver a verdadeira natureza da mente, nos agarramos a um eu sem qualquer razão lógica. Todos nós temos uma tendência natural de aderir a um eu porque estamos acostumados a isso. É um tipo de hábito que formamos desde tempos remotos.

Entretanto, se examinarmos e investigarmos cuidadosamente, não podemos encontrar o eu. Se houver um eu, ele tem que ser corpo, mente ou nome. Primeiro, o nome é vazio por si mesmo. Qualquer nome pode ser dado a qualquer um. Assim o nome é vazio por si mesmo. Do mesmo modo o corpo. Nós dizemos "meu corpo" justo como "minha casa, meu carro, meu lar, meu país" e assim por diante, de modo que o corpo e o "eu" são separados. Se examinarmos cada parte do corpo, não podemos encontrar em nenhum lugar qualquer coisa chamada "eu” ou a identidade. São apenas muitas coisas juntas que formam o que concebemos como o corpo ou o eu. Se investigarmos com cuidado da cabeça ao dedo do pé, não podemos achar em nenhum lugar uma coisa chamada eu. O corpo não é um eu porque tem muitas partes, muitas partes diferentes. As pessoas podem permanecer ainda vivas sem determinadas partes do corpo, assim o corpo não é o eu.


S.S. Sakya Trizin Ngawang Künga

sábado, 23 de outubro de 2010

Quando os mestres choram

Queridos,
Neste maravilhoso vídeo vocês poderam ver os comentário do lama Samten sobre as lágrimas de S. S. Dalai Lama.

Saúde e paz!!!!!


sábado, 2 de outubro de 2010

Emoção genuína de um Buda

Queridos, segue um vídeo emocionante de S.S Dalai Lama dando ensinamentos sobre Bodichita. Emcionante ver a "emoção genuína do Buda da Compaixão, Chenrezig, expresso por S.S O Dalai Lama.
Abaixo do Vídeo segue uma tradução para o português feita pelo querido José, Pema Rinchen.

Amor e paz!!!!!





Sua Santidade:

... dirigir nossa mente para eles isso mostra que temos grande mérito.

Para o Lama é afortunado ter esta oportunidade de ensinar sobre bodichita. Para vocês, os discípulos, também, esta ocasião para a bodichita, a mente altruística que acalenta os outros mais que a si mesmos...

... vocês são afortunados de ouvir um ensinamento sobre ela.

Quem gera essa intenção altruísta se encontrará estabelecendo o caminho para a verdadeira felicidade. Todos nós queremos a felicidade e não queremos sofrer. Certo?

Se você desejar para a verdadeira paz e harmonia, não há nada mais que poderia pedir do que uma reflexão sobre a bodichita. Normalmente, eu acredito e até mesmo digo que, como recitado no Lama Choepa :

Você é o Guru, a Deidade Pessoal, o Anjo, o Protetor do Darma. Como eu não procuro qualquer outro refúgio que você, de agora até a minha iluminação... Por favor, ligue-me com sua compaixão nesta vida, no estado intermediário, e em todas as vidas futuras. Libere-me dos medos da existência e da paz, conceda-me todos os talentos, faça amizade comigo para sempre, e evite todos os obstáculos.

É bodichita, esse bom coração, que é tudo isso. Ela nos ajuda nesta vida e no estado intermediário. Além disso, se for capaz de manter esta mente altruísta, no momento da morte...é absolutamente certo que a próxima vida será boa. Porque?

Um renascimento ruim ocorre devido a ações negativas e estas são purificadas pela intenção altruísta. Uma excelente forma superior de renascimento tem que vir através do mérito e nada excede a intenção altruísta para ganhar mérito.

Por favor, ligue-me com sua compaixão nesta vida, no estado intermediário, e em todas as vidas futuras.

Isso nos liberta de nossa existência no samsara. Como?

Somos lançados ao redor no samsara pelo nosso apego ao ego, que destrói a nós e aos outros. Já que os Bodisatvas inteligentes são capazes de ver isso, como é que eles apreciariam o apego do ego, em qualquer medida? Por que eles deixariam o apego ao ego dominá-los?

Portanto a bodichita nos ajuda a sair do samsara. Embora a bodichita não seja cultivada apenas para o nirvana, ela acontece como um efeito colateral natural dessa prática.É só a bodichita que pode libertar-nos da paz unilateral do nirvana. Nenhum outro caminho pode fazer isto. Quanto à conceda todas bênçãos, a bodichita preenche todos nossos objetivos na vida atual e na próxima, temporária e definitivamente.

Mesmo para as nossas necessidades comuns, como dormir, cultive o espírito altruísta, e você será feliz.

Quando você estiver feliz você será mais saudável e você dormirá mais tranqüilamente,... e seu alimento terá melhor sabor, todos serão seus amigos, até mesmo os pássaros e animais. Que felicidade! Você viverá uma vida mais longa. Você pode não envelhecer prematuramente ou morrer, em última instância. Se você puder pensar na bodichita, esse bom coração, mesmo você sendo jovem, estará em harmonia com todos.

Na meia-idade você não será problemático, mas útil a todos. Se você estiver praticando bodichita, então mesmo quando você ficar velho, vai ser calmo e pacífico.

Caso contrário, se você se tornar uma daquelas pessoas idosas que sempre causam incômodos, seus filhos se queixarão. Pior ainda, os filhos poderiam pensar "Que horror! Estes velhos não morreram ainda!” Mesmo as crianças, se elas são ternas, recebem mais presentes. As crianças que estão sempre brigando ou são cruéis perdem. Elas não recebem presentes e ninguém irá cuidar delas. Se você é gentil você vai ser feliz na infância, na meia idade e na velhice. Você será feliz nesta e nas futuras vidas.

Um bom coração é uma oferenda para agradar o Buda. Desenvolva-o para que todos os Budas e Bodisatvas deleitem-se.

Certo? E nosso coração bondoso será nosso amigo para sempre, quando oramos em Lama Choepa: Por favor, seja meu amigo para sempre. É a bondade que pode evitar os obstáculos. Falei disto antes.

Até agora não encontrei pessoas querendo prejudicar-me. Se elas viessem a mim não tenho certeza se conseguiria reagir com a bodichita. Entretanto, quando estou relaxado eu penso ‘Quem são meus inimigos? Onde estão? Eu sinto pesar por eles.’

Todos seres são nossos ‘amigos’. Não deveríamos excluir os inimigos, os seres que nos impedem ou seres do mal.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

"A Roda da Vida como Caminho para a Lucidez"


Em "A Roda da Vida como Caminho para a Lucidez", o Lama Padma Samten oferece aos leitores de língua portuguesa um resumo de alguns dos pontos fundamentais do budismo. Com uma linguagem simples e bem-humorada, o Lama descreve os doze passos da construção do sofrimento humano – representados na imagem da Roda da Vida – , assim como o método para alcançar a lucidez, ou seja, a liberação do sofrimento.

Se o sofrimento foi criado, construído, ele pode ser dissolvido, desconstruído. Para tanto, é necessário aprender a percorrer o caminho inverso, coisa que Padma Samten ensina com maestria. Mas só isso não é suficiente. A lucidez é alcançada pelo cultivo de uma mente compassiva, associado à realização da vacuidade, termo que não significa vazio, como muitos acreditam. Dizer que tudo é vacuidade é afirmar que os fenômenos – as coisas e as relações – não existem por si mesmos; existem apenas na dependência de; interdependentemente.
O entendimento intelectivo do conceito, entretanto, não implica em sua realização. Quando esta acontece, a visão de mundo é profundamente alterada e a pessoa sente-se conectada com o todo. A verdadeira compreensão da essência da realidade ocasiona uma abertura inigualável para o outro e para o mundo. Com exemplos retirados do cotidiano, Lama Samten explica a vacuidade da forma simples, a fim de tornar o caminho rumo à libertação acessível ao maior número possível de pessoas.

Além de ter a virtude de reunir os mais importantes ensinamentos budistas, apresentando ao leitor noções complexas e sofisticadas, livro tem o mérito de mostrar como esse conhecimento pode (e deve) ser aplicado no dia-a-dia por qualquer pessoa que deseje livrar-se do sofrimento.

O Buda disse que ninguém deveria aceitar suas ideias baseando-se apenas na fé. O praticante do budismo deve testar os ensinamentos e ver se funcionam ou não em sua vida.

“Em termos filosóficos, o budismo é uma religião extremamente sofisticada, mas que pode ser resumida em duas palavras: compaixão e sabedoria. Procurar desenvolver essas qualidades é o que todo budista deve fazer em sua prática em busca da iluminação”, diz Lama Samten. Um conselho útil a todos.

Lama Samten estará dando ensinamentos sobre os doze elos da orginação dependente e a roda da vida por todo o Brasil e oferecendo sessões de autógrafos. Acesse o nosso site ou entre em contato com o CEBB de sua região para mais informações.

Clique aqui e compre na loja virtual!

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

O Poder da Meditação

A Revista "Isto É" de fevereiro deste ano, lançou mais uma matéria sobre os benefícios da meditação para saúde. Para os que quiserem segue o link. Que esta não seja nossa principal motivação.


http://www.istoe.com.br/reportagens/51821_O+PODER+DA+MEDITACAO+PARTE+1?pathImagens=&path=&actualArea=internalPage

Saúde e paz!!!!

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Meditação Shamata (4)


...Há um ponto difícil aqui, os pensamentos estão vindo e estou dizendo para vocês voltarem à respiração, para se concentrarem na respiração. Vocês automaticamente pensam nisso como, "Oh, isto significa que o Rinpoche está dizendo que devemos parar os pensamentos e voltar a nos concentrar em nossa respiração". Isto não é o que quero dizer. Não estou dizendo que vocês devem parar estes pensamentos. Não estou dizendo isso. Tudo que estou dizendo é para se concentrarem na respiração. Essas são duas coisas diferentes. Quando os pensamentos vierem, não os parem, não os aumentem, não os encorajem, não os desencorajem, nada. Sua tarefa é se concentrarem na respiração. É isso.
É importante que entendamos a diferença. Se eu dissesse, "Parem estes pensamentos e então voltem à respiração", isso é uma coisa — mas não estou dizendo isso. Quando os pensamentos estiverem vindo, o que vocês fazem? Voltem à respiração. Essa é a sua tarefa. Parar os pensamentos não é a sua tarefa. Não é parte deste ensinamento. Os pensamentos virão — tudo o que vocês têm de fazer é se concentrarem na respiração. É isso.
O Senhor Maitreya tem alguns conselhos realmente bons para a prática de shamatha. Quando estivermos fazendo shamatha, é importante que lembremos do antídoto. Quando a mente se distrai, temos de lembrar do antídoto. O antídoto aqui é muito simples, voltar à respiração e se concentrar nisso. Essa atenção tem de estar lá toda vez que nos distrairmos. Chamamos isto de aplicar o antídoto. Mas às vezes aplicamos demais o antídoto. Isso pode causar tanto torpor quanto agitação. Perceberam isso? Se vocês se preocuparem muito, em outras palavras, se vocês se mantiverem aplicando o antídoto — antídoto, antídoto, antídoto —, é quase como aplicar o antídoto onde não há veneno e, de fato, isso se torna um problema. Isso se torna uma causa de torpor ou agitação.

Dzongsar Jamyang khyentse, Thubten Chökyi Gyamtso

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Nova medit-AÇÃO. Venha meditar conosco!

foto: medit-ação em Salvador-BA, dia 25 de julho de 2010. Por Fabio Camelo.
Medit-AÇÃO em Poto Alegre e Salvador
(ação coletiva)
Se estiver interessado forme um grupo na sua cidade que a gente divulga aqui no blog.

O que é?
Iremos nos sentar no chão, em posição de meditação.E meditar.Só isso.
Quando? Onde?Em Porto Alegre, será na Rodoviária, dia 25, quarta, das 12h às 13h.
Em Salvador, será no Farol da Barra, dia 29, domingo. Às 16h30, faremos uma pequena reunião e a meditação começará às 17hs.

O que faremos?
Simplesmente sentar e meditar.Sente com as pernas cruzadas, com os olhos abertos.Fixe um ponto e estabilize a mente.Pare de reagir de forma condicionada.Amplie sua liberdade.Não fingimos que meditamos. Meditamos mesmo.Percebemos o que acontece à nossa volta. Mas não reagimos.É possível, sim.


INSTRUÇÕES PARA PORTO ALEGRE:
O ponto de encontro é o início da passarela de pedestres, às 11h45. O grupo decidirá onde e como nos sentaremos. A sugestão é ao longo do canteiro central da rua. O objetivo não é obstruir a passagem de ninguém.


INSTRUÇÕES PARA SALVADOR:
Ocuparemos a máxima extensão a frente do Farol da Barra.O objetivo não é obstruir a passagem de ninguém.Apenas ficaremos enfileirados porém mantendo uma certa distância um do outro. Lembrando que sentaremos no chão. Se quiserem podem levar um pequeno colchonete de Yoga ou uma pequena toalha, bom levar também uma pequena almofada.



Se quiser documentar (fotografar, filmar) será igualmente bem-vindo.


Veja fotos de Porto Alegre! Por Felipe Gaieski.


foto: medit-ação em Salvador-BA, dia 25 de julho de 2010. Por Fabio Camelo.


Textos relacionados:

Informação retirada do Blog do Bodisatva

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Preocupação Sincera


Em 1989, durante uma visita aos Estados Unidos, Sua Santidade o XIV Dalai Lama, ao receber o Prêmio Nobel da Paz, falou diretamente sobre a preocupação sincera das pessoas de nossa época:"Cada pessoa em nosso mundo está interligada e é interdependente. Minha paz e felicidade são uma preocupação minha. Sou responsável por elas. Porém, a felicidade e a paz de toda a sociedade são preocupações de todos. Cada um de nós tem a responsabilidade individual de fazer o que lhe for possível para melhorar o nosso mundo.Em nosso século, a compaixão é uma necessidade, não um luxo. Os seres humanos são animais sociais e precisam viver juntos, queiramos ou não. Se não houver corações gentis e compaixão entre nós, a nossa própria existência estará ameaçada. Mesmo se formos egoístas, deveremos ser sabiamente egoístas e compreender que a nossa sobrevivência e felicidade pessoais dependem dos outros. Portanto, a gentileza e a compaixão para com eles são essenciais.As abelhas e as formigas não têm religião nem educação ou filosofia, embora cooperem instintivamente entre si. Com isso, elas asseguram a sobrevivência da sua sociedade e a felicidade de cada indivíduo que dela participa. Certamente nós humanos, que somos mais inteligentes e sofisticados, podemos fazer o mesmo!


Assim, cada um de nós tem a responsabilidade individual de ajudar os outros da maneira que lhe for possível. Contudo, não devemos esperar mudar o mundo de modo instantâneo. Enquanto não formos iluminados, nossas ações para beneficiar os outros serão limitadas. Sem a paz interior, é impossível haver uma paz mundial. Portanto, devemos melhorar a nós mesmos e, ao mesmo tempo, fazer o que pudermos para ajudar os outros".

Retirado do Blog Silêncio!

Fonte: Coração Aberto, Mente Limpa
Monja Thubten Chodron
Ed. Nova Era

domingo, 15 de agosto de 2010

Shamata e Estado Desperto



O objetivo da prática da atenção, ou shamata, é se tornar consciente do estado desperto. O estado desperto é a base — ou o que você poderia chamar de “suporte” — da mente. É fixo e imutável, como o mastro a que a bandeira da consciência ordinária está presa.
Quando reconhecemos e firmamos uma base no estado desperto, o “vento” da emoção ainda pode soprar. Mas em vez de sermos carregados pelo vento, voltamos nossa atenção para dentro, observando as graduações e mudanças com a intenção de se familiarizar com aquele aspecto da consciência que reconhece: “Ah, isto é o que estou sentindo, é isto que estou pensando”.
Ao fazermos isso, um pouco de espaço se abre dentro de nós. Com a prática, esse espaço — que é a clareza natural da mente — começa a se expandir e assentar.


(Nepal, 1975 ~)“The Aim of Attention”,

Tricycle, verão de 2009(Tricycle’s Daily Dharma, 09/09/2009)

sábado, 7 de agosto de 2010

Meditação Shamata (3)




A meditação shamatha não tem de ser para o objetivo de atingir a iluminação. Se não estiverem interessados na iluminação ou no nirvana, vocês podem praticar o shamatha para serem naturais — para não serem muito dominados pelas circunstâncias. Na maioria do tempo não estamos sob controle de nós mesmos. Nossa mente é sempre atraída ou distraída por algo — nossos inimigos, nossos amantes, nossos amigos, tudo — esperança, medo, inveja, orgulho, apego, agressão, tudo isto. Então, em outras palavras, todos estes objetos, estes fenômenos, o mundo controla nossa mente, não temos controle sobre ela. Talvez possamos controlá-la um pouco por meio segundo, mas se estivermos um estado emocional extremo, nós vamos perdê-la. Agora, como disse antes, deixar nossa ambição é um pouco como a renúncia da qual os buddhistas fazem. Se lermos a vida do Buddha, o Buddha renunciou ao seu palácio, à sua esposa, ao seu filho, aos seus pais, e saiu do palácio em busca da iluminação. Estritamente do ponto de vista do shamatha, podemos dizer que o Buddha estava tentando diminuir sua ambição, ou pelo menos tentando ver aonde ele estava objetivando, o que estava tentando atingir. Ele também estava tentando ver o aspecto fútil do que quer que estivesse tentando atingir. Então, ele planejava abandonar, para atingir o "poder de deixar". Para resumir, o "poder de deixar" é muito importante se vocês quiserem se tornar praticantes de shamatha.
Fazemos a meditação shamatha de modo que possamos atingir este "poder de deixar", ou para entendermos a ruína de nossa obsessão, a ruína de nossa fixação. De fato, como descobriremos, esta técnica é realmente dar a nós mesmos algum tempo ou a oportunidade de desatar os nós que temos. É por isso que alguns dos grandes meditadores dizem que, efetivamente, uma meditação como o shamatha é uma ocasião rara na qual estamos realmente sem fazer nada.
Geralmente, estamos sempre fazendo algo, estamos sempre pensando em algo, estamos sempre ocupados. Conforme ocupamos a nós mesmos, muito nos perdemos nestes milhões de obsessões ou fixações. Aqui, quando meditamos, não fazendo nada, todas estas fixações serão reveladas. Talvez para os iniciantes seja um pouco assustador às vezes, mas lentamente vocês obterão algum tipo de confiança interior para encarar isto. E perceberão que, automaticamente, estas fixações diminuirão — sem fazer nada. Os textos clássicos de instruções de meditação diriam que é como uma cobra se desenrolando; nossas obsessões se desfarão por si mesmas. Vocês obterão esse tipo de habilidade.

Dzongsar Jamyang Khyentse, Thubten Chökyi Gyamtso

domingo, 1 de agosto de 2010

Meditação Shamata (2)


Se tivermos ambições, teremos fixações diante do que quer que estejamos objetivando — até mesmo se a nossa meta for a iluminação. Então, não há meditação, porque estamos pensando sobre ela, estamos cobiçando por ela, estamos fantasiando sobre ela, imaginando coisas. Isso não é meditação.É por isto que uma característica muito, muito importante da meditação shamatha é deixar qualquer meta e simplesmente sentar por sentar. Aqui, inspiramos e expiramos, e apenas observamos isso. Nada mais. Não importa se obtivermos a iluminação ou não, ou se nossos amigos obtiverem a iluminação mais rápido do que nós. Quem se importa? Estamos apenas meditando. Apenas nos sentamos eretos e observamos a respiração entrar e sair. Nada mais. Deixamos todas as obsessões por metas e ambições. Este é um aspecto muito importante. Isto inclui até mesmo a perfeição da meditação shamatha, tentar fazer uma meditação shamatha perfeita. Devemos nos livrar até mesmo disso. Apenas sentar.
A coisa bonita de termos menos obsessões e ambições, e de apenas nos sentarmos eretos e observarmos a respiração, é que nada nos perturbará. As coisas nos perturbam somente porque temos uma meta. Quando temos uma meta, nos tornamos obcecados de alguma forma. Digamos que a nossa meta seja ir a algum lugar, mas alguém estacionou bem na nossa frente, bloqueando nosso carro. Se algo entrar no caminho de nossa mente, isto se torna uma coisa terrível. Se não tivermos essa meta, não importa — barulho, conceira aqui e ali, não importa.
Isto é importante porque os meditadores muitas vezes têm uma forte ambição de atingir algo, e quanto ficam distraídos, eles atravessam todos os tipos de inferno, perdem sua confiança, ficam frustrados, condenam a si mesmos, condenam a técnica. É por isto que, pelo menos durante os poucos momentos de meditação, não importa se estamos obtendo a iluminação ou não, não importa se a água quente está fervendo no bule ou não, não importa se o telefone está tocando e não importa se é algum de nossos amigos ou não — apenas por alguns momentos, estas coisas não importam, apenas por alguns momentos.

Dzongsar Jamyang khyentse, Thubten Chökyi Gyamtso

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Meditação, o caminho para iluminação


O que o Buda viu foi que a ignorância sobre a nossa verdadeira natureza é a raiz de todos os tormentos do samsara, e a raiz da ignorância em si é a tendência habitual da nossa mente para a distração. Para terminar com a distração da mente era preciso acabar com o próprio samsara; a chave para isso, ele percebeu, era trazer a mente de volta à sua verdadeira natureza pela prática da meditação.

O Buda se sentou no chão em serena e humilde dignidade, com o céu sobre ele e à sua volta, como para mostrar-nos que na meditação você se senta com uma atitude mental aberta como o céu, embora permaneça presente na terra e com os pés no chão. O céu é a nossa natureza absoluta, sem barreiras e infinita, e o chão é a nossa realidade, nossa condição relativa e ordinária. A postura que assumimos quando meditamos significa que estamos ligando absoluto e relativo, céu e terra, espaço e chão, como duas asas de um pássaro, integrando a imortal natureza da mente, semelhante ao céu, e o solo da nossa natureza mortal e transitória.

A dádiva de aprender a meditar é o maior presente que você pode se dar nesta vida. Porque é apenas através da meditação que você pode empreender a jornada para descobrir sua verdadeira natureza e assim encontrar a estabilidade e a confiaça de que necessitará para viver e morrer bem. A meditação é o caminho para a iluminação.


Sogyal Rinpoche, em “O Livro Tibetano do Viver e do Morrer“

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Meditação Shamata


Falaremos um pouco sobre a meditação shamatha. Penso que pode ser bom tentarmos e realmente fazermos a meditação conforme prosseguimos. Então, falarei um pouco e em seguida vocês meditarão um pouco, então falarei algo mais e vocês meditarão um pouco mais. Se fizerem isso, então saberão do que estou falando, as instruções farão mais sentido. De outro modo, talvez vocês não sejam capazes de conectar as instruções à meditação.
A técnica real é muito simples. Em geral, todos os grandes meditadores do passado aconselharam a nos sentarmos eretos quando meditarmos. Quando nos sentamos eretos, há um sentido de alerta, um sentido de importância; isto produz a atmosfera correta.
Nesta instrução específica, irei sugerir que não usemos um objeto externo. Às vezes ouvimos a instrução shamatha usando um objeto externo, como uma flor, mas aqui usaremos a tradição padrão Theravada de usar nossa a respiração como objeto. Então, nos concentramos em nossa respiração, simplesmente seguimos nossa inspiração e expiração. É isso. Nossa mente é focada na respiração, nossa postura é ereta, nossos olhos estão abertos. Vamos fazer isso por enquanto e então falaremos um pouco mais. Essa é a técnica essencial, basicamente não fazer nada.
Simplesmente nos sentamos eretos e observamos a nossa meditação. Não estamos preocupados com nossas distrações, com todos esses pensamentos que ocupam a nossa mente. Apenas sentamos. Sozinhos. Apenas por nós mesmos. Absolutamente nenhuma referência... Nós, a respiração e a concentração, isso é tudo o que temos.
Então sentamos, nos concentramos na respiração, nada mais. Então, alguns pensamentos podem vir. Quando estes pensamentos vierem, o que fazemos? Não fazemos nada. Há apenas um método aqui — um único método para aplicar a todas as ocasiões. Esse método é se concentrar na respiração, isso é tudo.Qualquer número de distrações pode ocorrer, coisas que vocês falaram ontem, filmes que assistiram na semana passada, uma conversa que acabaram de ter, coisas que precisam fazer amanhã, um pânico súbito — eu desliguei o gás esta manhã na cozinha? Coisas assim, tudo isto virá, e quando estas coisas vierem, voltem à respiração. Este é o slogan da instrução shamatha. Apenas voltem. A cada vez que percebermos que nos distraímos, nos lembramos das instruções e voltamos. Voltamos à respiração. Vamos fazer isto por algum tempo.

Dzongsar jamyang khyentse, thubten chökyi gyamtso

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Medit- AÇÃO em Salvador

Queridos,

Neste ultimo domingo (25/07) realizamos o primeiro Medit-AÇÃO em Salvador. Este evento faz parte dos sonhos de alguns integrantes do CEBB Porto Alegre, Rio De Janeiro e Salvador. Foi uma experiência maravilhosa compartilhar da nossa prática do silêncio em meio ao mundo, é muito possivel e revelador. Só desejo que este movimento cresça cada vez mais e que outros grupos em todo o país possam se encontrar para realizar esta prática.
Seguem as fotos do evento aqui em Salvador:





quinta-feira, 22 de julho de 2010

Um budista na gestão


No meio das gravatas e smartphones, o homem calmo vestindo a tradicional túnica laranja dos budistas destoava da maioria. A fala de voz baixa e palavras ditas com cuidado em nada lembra o ambiente corporativo, com sua competição, correria e tecnologia. Mas o dirigente do Centro de Estudos Budistas Caminho do Meio, lama Padma Samten, sentou-se diante das 2,5 mil pessoas e deu, no mínimo, um nó na cabeça de muita gente ao falar de física quântica, sabedorias cognitivas e meditação. E tudo isso para dizer que o futuro da gestão está nas mãos de quem conseguir enxergar o novo além do saber preestabelecido do mundo corporativo.

No final do 11º Congresso de Gestão, na Fiergs, o lama tratou de dizer que a mensagem não tem a ver com religião, mas com bom senso e lucidez. Sugeriu meditação no lugar de pilhas de relatórios, ajuda mútua em vez de competitividade voraz, alegria para o trabalho em troca de reclamações por salários. Assim, é possível humanizar a gestão das companhias, voltando-as para a felicidade das pessoas e não só para a economia do mercado.

Uma das habilidades mais mencionadas foi a capacidade de olhar para as mesmas coisas e descobrir solução nova, sem preconceitos ou fórmulas estabelecidas.

INFORME ECONÔMICO MARIA ISABEL HAMMES
ZERO HORA/ Porto Alegre

segunda-feira, 12 de julho de 2010

terça-feira, 6 de julho de 2010

Homenagem ao Dalai Lama


Queridos,

Hoje é o aniversário de 75 anos do Dalai Lama.
Junte-se às milhares de pessoas que assinaram a homenagem.
Leva alguns segundos e a homenagem será entregue a ele pessoalmente! Clique: http://www.avaaz.org/dl_orkut

segunda-feira, 28 de junho de 2010



CEBB SALVADOR CENTRO DE ESTUDOS BUDISTAS BODISATVA

Convida para Retiro*


LAMA PADMA SAMTEN
2, 3, 4 de julho
“O CAMINHO DA LUCIDEZ NA VIDA”
Local: Bahvna Espaço Cultural Rua Alagoinhas, 362 Parque Cruz Aguiar,
Rio Vermelho, tel. do local: (71) 3334 1081
Esse é o link para o mapahttp://maps.google.com.br/maps?f=q&source=s_q&hl=pt-BR&geocode=&q=Rua+Alagoinhas,+n%C2%B0+362+-+Rio+Vermelho&ie=UTF8&hq=&hnear=R.+Alagoinhas,+362+-+Rio+Vermelho,+Salvador+-+Bahia,+41940-620&ll=-13.007845,-38.489603&spn=0.003549,0.009012&t=h&z=18

Programação:

Sexta -feira, 02/07
07:00 – 08:00 Recepção e acomodação das pessoas
09:00 – 12:00 Ensinamentos com o Lama, Curso 1 “Prajnaparamita”
12:00 – 13:00 Almoço
13:00 – 14:00 Samu (trabalhos voluntários de limpeza, organização e ajuda na cozinha)
14:00 – 17:00 Ensinamentos com o Lama, continuação Curso 1 “Meditação do Prajnaparamita”
17:00 – 18:00 Alongamento
18:00 – 19:00 Jantar
19:00 – 20:00 Puja Prajnaparamita20:00 –
21:30 Perguntas e Respostas com o Lama

Sábado, 03/07
05:30 – 07:00 Meditação Silenciosa e Puja do Prajnaparamita
07:00 – 08:00 Café da manhã
08:00 – 09:00 Samu (trabalhos voluntários de limpeza, organização e ajuda na cozinha)
09:00 – 12:00 Ensinamentos com o Lama, Curso 2 “Vida e Morte e os Seis Bardos”
12:00 – 13:00 Almoço
13:00 – 14:00 Samu (trabalhos voluntários de limpeza, organização e ajuda na cozinha)
14:00 – 17:00 Ensinamentos com o Lama, continuação do Curso 2 “Vida e Morte e os Seis Bardos”
17:00 – 18:00 Alongamento
18:00 – 19:00 Jantar
20:00 – 21:30 Puja Chuva de Bênçãos e Tsog

Domingo, 04/07
05:30 – 07:00 Meditação Silenciosa e Puja do Prajnaparamita
07:00 – 08:00 Café da manhã
08:00 – 09:00 Samu (trabalhos voluntários de limpeza, organização e ajuda na cozinha)
09:00 – 12:00 Ensinamentos com o Lama, Curso 3 “Caminho de Meditação (21 itens)”
12:00 – 13:00 Refúgio, batizados, casamentos, bênçãos.
13:00 Almoço.

Investimento:
1) Retiro Completo: 2 parcelas de R$ 135,50 (na inscrição e para 30 dias). Inclui:o retiro completo e 3 almoços vegetarianos, 2 jantas leve (sopa, pão, café, chá, biscoito).

2) Por turno (manhã ou tarde ou noite): R$ 65. Inclui o ensinamento e uma refeição: almoço ou janta.

3) Dois turnos ou dia: R$ 110. Inclui o ensinamento e duas refeições: almoço / janta
Não inclui hospedagem. Devido limitação do espaço e preparação da refeição, pedimos fazer a inscrição com antecedência.


Inscrições:
Ana Ricl (071) 9134 8455 - http://br.mc380.mail.yahoo.com/mc/compose?to=salvador@cebb.org.br

Importante:
Alimentação vegetariana.
A roupas podem ser simples, confortáveis, pois na sala de meditação sentamos em almofadas sobre colchonetes.
É recomendável não trazer livros, revistas e computador para que se mantenha o foco e a energia no retiro.
* RETIRO SERÁ MINISTRADO EM FORMA DE CURSO, e MANTIDA A ESTRUTURA DE RETIRO.

Informações:
Ana Ricl (71) 9134.8455 Gilca Galvão (75) 9111.0440
Carlos Matos (71) 8243.8842 Fátima (71) 8855.0408

CONSULTE O SITE:
www.cebb.org.br/salvador


sexta-feira, 25 de junho de 2010

Motivação, fixação e meditação


Devemos meditar, isso é muito importante na prática do Dharma. Um mestre nyingmapa, Jigme Lingpa, afirmou que há muito mérito para uma pessoa que canta mantras por dez anos, vinte anos, etc. Mas, ele disse, se um praticante fizer um minuto de meditação claro, é muito melhor. Isto é porque, quando as pessoas cantam mantras, elas muitas vezes não penetram suas mentes. Penetram um pouco os lábios e uma língua, mas há muitas fendas. Suas mentes estão vagando em todo lugar, sobre que trabalho fazer e quais filmes assistir. Então, pensam que terminaram depois de dizer cem mantras. É por isto que a meditação é importante. É errado acreditar que a meditação é para nós; ela é para todos e é fácil de fazer. Não é complicado como mantras ou rituais, e é muito necessário aprender.
Um praticante deve meditar regularmente e se familiarizar com a prática. A meditação cria espaço e nos abre. É simples, mas também é o fundamento para todas as outras meditações que se pode aprender. Ela ajuda a reduzir a fixação a idéias e opiniões. Então, quando começarem, não estejam fechados ou com medo. Não é preciso investigar o que fazer, ou lembrar de uma visualização complicada. Apenas relaxem e não limitem a meditação a uma certa hora por dia. Por exemplo, às vezes limitamos a meditação à manhã ou à noite.
Devemos manter disciplina estrita e zelo quando meditamos, e praticar a qualquer hora. Concentrem-se na respiração; quando a mente vagar, apenas focalizem a respiração através do nariz. Mantenham-se lembrando a si mesmos, "Devo vigiar minha respiração", especialmente quando a mente começa vagar. Vocês todos podem se perguntar agora, "Uau, é tão simples, este método fácil pode reduzir toda fixação e eventualmente conduzir à iluminação? Realmente?" É fácil entender como isto é possível. Quando a água está cheia de barro e desejamos ter água clara, qual é o primeiro passo? Vocês a deixam sozinha. Todo o barro afundará e então a água clara ficará visível. Quanto mais agitarem a água, mais suja ela se tornará. Então, agora, a meta é a de reduzir a fixação, o desejo de reduzir a raiva, a paixão, a ignorância e assim por diante. Mas não há porque agitá-os! Então, suas mentes se tornarão agitadas novamente.
Tudo o que vocês fazem aqui é relaxar, sentar-se eretos e vigiar sua respiração. O praticante deixa tudo sozinho e se deixa acalmar. Mas é preciso meditar; de outro modo, vocês nunca vão saborear a experiência da meditação. Quando alguém quer que vocês se tornem alcoólatras, ela dirá a vocês, todo o dia, o quão bom é o álcool. Isto os inspira a beber um pouquinho; primeiro, queima sua garganta e estômago e lhes dá uma dor de cabeça. Depois de alguns dias, lentamente ficam viciado. Esta lógica funciona do mesmo modo com a prática do Dharma, algo totalmente oposto de se tornar um alcoólatra. Do mesmo modo aqui, estou louvando o quão benéfica é a meditação. Porém, se vocês não praticarem efetivamente a meditação, nunca entenderão qualquer coisa além do que digo.
Algumas pessoas terão um grande medo. Quando vocês são donas de casa ou empresários, sentem que "Eu não tenho tempo!" Isto é uma desculpa fraca. Tudo o que vocês têm de fazer é meditar por trinta segundos ou um mínimo de um minuto. Apenas se sentem em seu quarto ou sala, onde quer que seja, e observem sua respiração. É importante que os iniciantes saibam que nunca se deve fazer meditação por duas horas ou por um período longo; comecem lentamente. Primeiro, meditem por trinta segundos, então dêem uma caminhada. Meditem por outros trinta segundos, então tomem um banho. Se meditarem assim, ela gradualmente ficará mais fácil e mais longa.
Novamente, revertendo ao exemplo anterior, alguém que está apenas começando a se tornar um alcoólatra ficará doente se beber três garrafas. Nunca iria querer tocar álcool novamente. Ao invés disso, o iniciante bebe um pouquinho e lentamente aumenta. Pouco a pouco, torna-se um especialista. Este exemplo de novo se aplica diretamente à meditação. Comece com meio minuto e lentamente se torne um especialista. Como isto mudará sua vida? Antes, ficariam enraivecidos se alguém dissesse que vocês têm um nariz grande, mas não mais. Do mesmo modo, se alguém disser que vocês são bonitos, isto não os infla com orgulho ou os faz particularmente felizes. É assim que o praticante muda. Agora, é sua tarefa começar; minha tarefa de explicar está quase terminada.
Agora é importante, se realmente formos buddhistas, praticar adequadamente. Quando vamos a um templo ou visitamos um Rinpoche, não devemos ter apenas esta motivação inferior de curar problemas temporais como doenças. A raiz do problema tem de ser diminuída; de outra forma, o problema permanecerá. Então, vão à raiz, não aos galhos!
Este ensinamento é a melhor forma de bênção, porque estou dando a vocês a chave para se fazerem felizes. Então, concentrem-se e meditem. Como iniciantes, não abandonem ou se arrependam se a sua mente vagar muito. Apenas tragam sua concentração de volta. Quando meditarem, certos sinais podem aparecer depois de alguns meses. Vocês podem ter sonhos e sentimentos bons, ou sonhos e sentimentos ruins. Porém, não se preocupem ou nem mesmo falem sobre eles. Estas experiências são véus; se vocês correrem atrás delas, serão como peixes pulando fora de um oceano.
Às vezes, os praticantes acreditam que vigiar a respiração é um tipo errado de meditação, muito fácil e simples. Ou podemos ter recebido outros tipos de instrução. Por exemplo, se lhes foi ensinado a meditar enquanto se está de pé, então vocês pensarão que meditar sentado é errado.
Devemos seguir estas instruções de meditação e não ficarmos confuso. Meu próprio mestre, S.S. Dilgo Khyentse Rinpoche, enfatizou muito a meditação sentada. Para mim, isto significa muito, porque sou uma pessoa muito complicada; então, isto faz a prática muito mais fácil. A meditação sentada por soar simples, mas será e deve continuar na própria prática até a iluminação. É a base ou fundamento da meditação. As visualizações e todos os outros elementos podem ser adicionados à meditação sentada. A meditação sentada é apenas como o arroz, serve como a base. Então os legumes e o caril podem ser adicionados mais tarde.


Dzongsar Jamyang khyentse, Thubten Chökyi Gyamtso

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Como praticar quando alguém continuamente rega suas sementes negativas?


Quando alguém rega suas sementes negativas é uma oportunidade para praticar. Alguns de nós pensam que seria mais fácil praticar se formos sozinhos para um retiro nas montanhas, mas se você fizer isso, não terá a oportunidade de ser desafiado. Viver com uma pessoa e as dificuldades apresentadas por essa pessoa é também uma oportunidade para a prática. Por favor, use seu tempo a sós, quando estiver sentando ou caminhando sozinho, para praticar e se preparar de forma que quando alguém vier e regar uma semente negativa, você será capaz de responder de forma mais positiva e bonita.

Se não nos prepararmos, então quando uma semente negativa for regada, sofreremos e reagiremos de uma maneira não sábia. Trazemos o sofrimento para dentro de nós e para dentro da outra pessoa também. Mas se formos plenamente conscientes e seguirmos nossa respiração enquanto fazemos nosso trabalho, estaremos praticando e nos preparando de forma que nossa plena consciência fique mais forte. Estamos trabalhando numa estratégia, de forma que quando uma semente negativa for regada, iremos respirar, sorrir, manter a calma e olhar para a outra pessoa com um sorriso.

Se formos bem sucedidos uma vez, teremos uma tremenda confiança no Dharma e na nossa prática, e teremos certeza que faremos ainda melhor na próxima vez. Daremos também uma boa impressão para a pessoa que rega as sementes negativas em nós. Se fizermos bem, então talvez em um ou dois meses, ela nos perguntará admirada, “Como você pode fazer isso?” Então será hora de compartilharmos nossa prática.

Há a questão de como continuar a prática se a outra pessoa – parceiro ou a família – não a aceita. Minha resposta é sempre essa: pratique naturalmente. Não seja capturado pelas formas na prática. Não mostre que está praticando. É possível. Por exemplo, quando você praticar meditação caminhando, pode praticar de forma natural de forma que ninguém saiba que você está praticando meditação caminhando, e mesmo assim você pode cultivar sua paz, plena consciência e alegria. Podemos chamar isso da prática da não prática.

E não seja muito ávido em compartilhar sua prática ou impor sua prática com a outra pessoa. Não fale sobre isso também. Apenas pratique de forma que você seja mais capaz de ouvir, sorrir, agir e reagir de uma forma refrescante. Se você for bem sucedido uma vez em responder de forma bonita quando suas sementes negativas forem regadas, então esse sucesso continuará e te ajudará e à outra pessoa ao mesmo tempo.

Thich Nhat Hanh

(palestra de Dharma realizada no dia 3 de junho de 1998 em Vermont)

domingo, 13 de junho de 2010

Como dar nascimento elevado aos seres

"As pessoas estão presas, mas quando nós as vemos presas nós as aprisionamos, damos nascimento a elas como pessoas presas. Mas elas não estão presas! Elas pensam que estão presas e eu também penso que elas estão presas. Por isso, nós não permitimos que elas surjam livres.Então o primeiro passo é nós recitarmos e vermos aqueles seres livres. Quando desenvolvemos essa visão, nós vemos a devastação do carma, porque nós, de modo geral, olhamos as outras pessoas e as aprisionamos com nossos olhares. Nós não permitimos lugares às pessoas, não damos nascimentos de liberdade para elas. Nós as congelamos.
Quando nós começamos a ver que podemos dar nascimento de liberdade ao outro, nós vemos que nossas relações podem ser completamente diferentes. Vocês vão perceber que isso, por exemplo, produz uma grande diferença na relação com os "ex-alguma-coisa" (risos). Nós voltamos a um nível que até a expressão do rosto vai mudar. Nós vemos que: "Com que autoridade eu aprisionei o outro como meu marido ou minha mulher?", "Depois que ele/ela foi embora, eu ainda cobro coisas". Nos vemos completamente aprisionados dentro disso, sofrendo por um tempo tão longo quanto essa posição durar – infelicitando o outro, não permitindo nenhum surgimento favorável ao outro.Podemos ver isso também com nossos filhos. Eventualmente nós não damo$s nascimento aos filhos no mundo, nós só damos nascimento aos filhos dentro de nossa casa, grudados em nossa mão. Se o filho tenta qualquer coisa, nós não conseguimos vê-lo livre. Ou seja, nós não damos nascimento: no nosso mundo não há espaço para ele surgir livre. Nós vemos a devastação do que significa dar nascimento inferior aos outros, e a devastação que isso causa para nós porque tentamos aprisionar o outro à nossa visão e ele anda, e aí temos sofrimentos no meio de tudo isso.Nós vemos como é maravilhoso agora nós olharmos essas pessoas todas e agora nós vamos dar nascimento elevado para eles. Ou seja, eles podem, eles têm qualidades, todos eles têm a natureza de liberdade, eles podem fazer diferente do que estão fazendo. Nós começamos a pensar também assim. Não só vemos a paisagem, como na nossa mente começamos a raciocionar e podemos até dar sugestões, facilitar coisas, para aquele ser comece a se manifestar segundo essas qualidades que nós negávamos.Então, quando nós damos esse nascimento sutil a partir de uma paisagem que inclua o outro de uma forma elevada, tudo se transforma."

* Ensinamento proferido pelo Lama Padma Samten em Abril de 2005, no CEBB SP.

sábado, 12 de junho de 2010

Neutralizar a preguiça de Meditar



A preguiça vem em diferentes formas, todas resultando em procrastinação, deixar a prática para outra hora. Às vezes, preguiça é se distrair da meditação com atividades moralmente neutras, como costurar ou pensar em como chegar a determinado endereço. Esse tipo de preguiça pode ser especialmente perniciosa porque esses pensamentos e atividades não costumam ser reconhecidos como problemas.
Outras vezes, a “preguiça” se manifesta na distração de pensar em atividades não virtuosas, como um objeto da luxúria ou a maneira de se vingar de um inimigo. Outro tipo de preguiça é o sentimento de que você não serve para a tarefa da meditação, se sentindo inferior e desencorajado: “Como alguém como eu algum dia poderia fazer isso?”. Nesse caso, você está falhando em reconhecer o grande potencial da mente humana e o poder do treinamento gradual.
Todas essas formas de preguiça envolvem desânimo em relação à meditação. Como isso pode ser superado? Contemplar as vantagens de adquirir flexibilidade mental e física irá gerar entusiasmo pela meditação e neutralizar a preguiça.
Uma vez que você desenvolva a alegria meditativa e o êxtase da flexibilidade mental e física, você será capaz de ficar em meditação por quanto tempo quiser. Nesse ponto, sua mente estará completamente treinada para que você a direcione para qualquer atividade virtuosa; todas as disfunções de corpo e mente terão sido eliminadas.

Dalai Lama

segunda-feira, 7 de junho de 2010

DESTRALHE_SE


Texto: Carlos Solano

- Bom dia, como tá a alegria? Diz dona Francisca, minha faxineira rezadeira, que acaba de chegar.*

- Antes de dar uma benzida na casa, deixa eu te dar um abraço que preste! e ela me apertou. Na matemática de dona Francisca, "quatro abraços por dia dão para sobreviver ; oito ajudam a nos manter vivos ; 12 fazem a vida prosperar".

Falando nisso, "vida nenhuma prospera se estiver pesada e intoxicada". Já ouviu falar em toxinas da casa?

Pois são: - objetos que você não usa, roupas que você não gosta ou não usa há um ano, coisas feias, coisas quebradas, lascadas ou rachadas - velhas cartas, bilhetes, plantas mortas ou doentes, recibos/jornais/ revistas, antigos, remédios vencidos, meias velhas, furadas, - sapatos estragados.. . Ufa, que peso!

"O que está fora está dentro e isso afeta a saúde", aprendi com dona Francisca. - "Saúde é o que interessa. O resto não tem pressa"!, ela diz, enquanto me ajuda a ' destralhar ' , ou liberar as tralhas da casa...

O ' destralhamento ' é a forma mais rápida de transformar a vida e ajuda as outras eventuais terapias. Com o destralhamento: - A saúde melhora ;- A criatividade cresce ;- Os relacionamentos se aprimoram... ensina o feng shui, com a delicadeza própria das artes orientais. Para o feng shui, é comum se sentir: - cansado, deprimido, desanimado, em um ambiente cheio de entulho, pois "existem fios invisíveis que nos ligam à tudo aquilo que possuímos".

Outros possíveis efeitos do "acúmulo e da bagunça": - sentir-se desorganizado, fracassado, limitado, aumento de peso, apegado ao passado... No porão e no sótão, as tralhas viram sobrecarga ;Na entrada, restringem o fluxo da vida ;Empilhadas no chão, nos puxam para baixo ;Acima de nós, são dores de cabeça ;“Sob a cama, poluem o sono”. Então... se dona Francisca falou e o feng shui concordou... nada de moleza!

-"Oito horas, para trabalhar ; Oito horas, para descansar ; Oito horas, para se cuidar." Perguntinhas úteis na hora de destralhar-se: - Por que estou guardando isso? - Será que tem a ver comigo hoje ? - O que vou sentir ao liberar isto? ...e vá fazendo pilhas separadas... - Para doar!- Para vender!- Para jogar fora! E depois de destralhar-se. .. - Jogue sal grosso nos ralos, Ponha um prato com carvão no quarto (tira os cheiros e as energias ruins) ; - Deixe um ramo de boldo em um copo d ' água para purificar. Para destralhar mais: - livre-se de barulhos, das luzes fortes, das cores berrantes, dos odores químicos, dos revestimentos sintéticos... . e também... - libere mágoas, pare de fumar, diminua o uso da carne, termine projetos inacabados.

"Se deixas sair o que está em ti, o que deixas sair te salvará.. Se não deixas sair o que está em ti, o que não deixas sair te destruirá", Arremata o mestre Jesus, no evangelho de Tomé. "Acumular nos dá a sensação de permanência, apesar de a vida ser impermanente" , diz a sabedoria oriental.

O Ocidente resiste a essa idéia e, assim, perde contato com o sagrado instante presente. Dona Francisca me conta que: "as frutas nascem azedas e no pé, vão ficando docinhas com o tempo". a gente deveria de ser assim, ela diz. -"Destralhar ajuda a adocicar." Se os sábios concordam, quem sou eu para discordar... "As pessoas realmente ligadas não precisam de ligação física. Quando se encontram, ou reencontram, mesmo depois de muitos anos, a amizade é tão forte quanto sempre." (Deng Ming-Dao )

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Natureza de todas as coisas



Observando todas as coisas
Como não tendo existência própria,
Quaisquer que sejam as aparências de surgimento e desaparecimento,
Sendo apenas descrições provisórias.
Todas as coisas são não-nascidas,
Todas as coisas são não-perecíveis:
Para aqueles que compreendem isso
O Buda sempre estará manifesto.

A natureza das coisas é fundamentalmente vazia e nula,
Sem apego e sem visão.
A vacuidade da natureza inerente é Buda.
Ela não pode ser examinada com o pensamento.
Se alguém conhece a natureza inerente de
Todas as coisas dessa forma,
Essa pessoa não será afligida
Por qualquer aflição.

Pessoas ordinárias vendo as coisas
Apenas perseguem formas,
E não compreendem que as coisas são não-forma:
Por causa disso elas não vêem Buda.

O Sábio está separado dos reinos do tempo,
Completo com as marcas da grandeza,
Habitando o não-habitar,
Onipresente sem se mover.

Sutra Guirlanda de Flores
(Avatamsaka Sutra, livro 14 – Elegias no Monte Meru)

domingo, 30 de maio de 2010

O espelho tudo revela



“O espelho é totalmente despersonalizado e de razão.
Se surge diante dele uma flor, ele a reflete, se é um pássaro, ele também o reflete.
O belo diante dele é belo, o feio nos aparece como feio.
Tudo ele revela como de fato o é.
Não possui poder de discriminação, nem consciência própria.
Se alguma coisa se aproxima, ele a reflete; quando se afasta, ele se limita a deixar que o objeto se afaste... sem que fique um só vestígio.
Essa total indiferença, essa ausência mental, ou a livre existência do espelho, pode ser aqui comparada à pura e lúcida sabedoria de Buda”.
O Problema é que, enquanto se tem o hábito de distinguir, julgar, categorizar e classificar – está-se sobrepondo algo à pureza do espelho.
Estamos filtrando a luz através de um sistema como se estivéssemos convencidos de que isso tornaria mais clara a luz.

Extraído do livro “Zen e as Aves de Rapina” de Thomas Merton.
Retirado do Blog "Esteja Aqui e Agora"

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Princípios da Meditação


Do puro ao impuro
O Dharma é um processo que permite passar do estado do ser comum ao estado do ser desperto, que se chama Buddha. Não se poderá captar o alcance do Dharma e sua função profunda caso não se compreenda esse processo, cujos princípios são expressos em termos de purificação: base da purificação, objeto da purificação, agente purificador, resultado da purificação.


A base da purificação

Nossa própria mente, na sua verdadeira natureza, é a mente em si, semelhante ao modo de ser da mente de todos os seres. Sendo assim, não está maculada por impurezas. Entretanto, encontra-se agora impregnada de numerosos condicionamentos passageiros que, embora não afetem a sua essência, produzem a ilusão e o sofrimento.
A essência da mente é o que se chama de "coração do despertar". Apesar de ser pura, pela nossa ausência de realização do que ela é, coração do despertar e impurezas ilusórias encontram-se misturadas. Essa mistura constitui a base da purificação, semelhante a um tecido branco maculado por manchas. O tecido pode voltar a ser branco graças ao fato de a brancura ser a sua natureza. Da mesma forma, a pureza é a natureza de nossa mente e nós podemos recobrá-la. Um carvão, ao contrário, não tem qualquer chance de se tornar branco, pois é originalmente negro. Se a ilusão, a dualidade e o sofrimento fossem a natureza de nossa mente, não teríamos qualquer possibilidade de nos livrarmos delas.

O objeto da purificação

O objeto da purificação é o que se deve eliminar, ou seja, as impurezas ilusórias, semelhantes as manchas que recobrem o tecido, mas que não fazem parte da sua natureza. Essas impurezas não tem realidade própria, motivo pelo qual podemos nos desembaraçar delas. Se fossem dotadas de uma existência em si, isso seria impossível; mas, são contingentes, de natureza ilusória, um simples erro. A sua raiz é a dualidade "apreendido-apreendendo": no exterior, as aparências apreendidas como objeto; no interior, a mente aprendendo enquanto sujeito. Esta polaridade acarreta a produção de emoções conflituosas (cólera, aversão, desejo, apego, cegueira, ciúme, possessividade, orgulho, etc) e de aparências ilusórias, das quais provem, por sua vez, o karma e o sofrimento. E portanto a dualidade, a base sobre a qual se edifica o processo, que deve ser principalmente eliminada.
Os objetos apreendidos exteriormente revestem-se de seis aspectos, correspondentes aos seis sentidos: as formas para a vista, os sons para o ouvido, os contatos para o tato, os objetos mentais para o mental.
O sujeito que os apreende interiormente divide-se igualmente em seis consciências: visual, auditiva, olfativa, gustativa, tátil, mental. É dessa maneira que o espírito funciona na ilusão: seis objetos e seis consciências apreendidas como realidades separadas; esta separação é o espaço no qual se inscreve o jogo das emoções conflituosas.
Esses seis objetos e essas seis consciências são, no entanto, desprovidas de uma entidade própria. No processo de percepção de uma forma, por exemplo, incorremos em erro ao perceber como duas entidades independentes o objeto percebido e a mente que percebe. Na realidade, a forma, percebida como objeto, nada mais é do que a manifestação do aspecto "claridade" da mente, enquanto que o eu-sujeito nada mais é do que o aspecto "vacuidade" dessa mente. No mecanismo de ilusão chega-se, contudo, à situação de olhar-se como sendo outro. É um pouco como o que ocorre quando caminhamos ao sol: nossa sombra destaca-se de nós e aparece como outro.
O objeto apreendido exteriormente e o sujeito que o apreende interiormente não estão, na verdade, jamais separados: não há dualidade. Embora o sujeito e o objeto não sejam duas coisas distintas, como não percebemos esse fato, criamos uma dualidade conosco, o que produz um jogo de emoções conflituosas e pensamentos ilusórios. Assim, o que devemos purificar é essa polaridade de eu-outro.

Bokar Rinpoche, Tchenrezi e Meditação (ShiSil Editora)

sábado, 15 de maio de 2010

O louco de Saravasti


O louco de Saravasti olhou-se no espelho e se viu sem olhos. Então, saiu desesperado, correndo, procurando os seus olhos.
Eu acho esse exemplo maravilhoso para ilustrar o fato de que temos a natureza ilimitada dentro de nós. Nos olhamos no espelho e nos vemos sem a natureza ilimitada, o que nos faz sair correndo, procurando por ela. Ou então, olhamos o mundo e dizemos: “Não tenho olhos capazes de ver a espiritualidade!” Mas já estamos vendo, porque esses olhos comuns são os olhos que vêem tudo. Sob a perspectiva budista, não falta nada para nós. Já temos a natureza ilimitada, mas nos vemos sem ela. Somos como o louco de Saravasti que se vê sem olhos, porque a luz que nos entra pelos olhos não é uma luz física, ela já é a luz ilimitada. Nós já temos a visão ilimitada e não percebemos que temos.



Lama Samten

terça-feira, 11 de maio de 2010

A pratica da meditação traz paz interior


Vamos falar sobre o zazen. Meditar é voltar para nosso verdadeiro si mesmo. Esse si mesmo é aquilo que tem a natureza búdica. Aquilo que nós realmente somos. Aquilo que todo universo em volta de nós também é – e que aparece sob a forma de manifestação. Então, esta pura natureza original é aquilo com que nós realmente sentamos, porque o resto todo, todas as nossas ilusões vão sendo descartadas ao longo de meditações, zazen após zazen. Na medida que a gente vai vivendo este processo de fazer o zazen é como se nós fossemos descartando coisas de nós mesmos e ficasse sobrando uma coisa única, pacífica, uma coisa com paz e é por isto que tudo começa a ficar mais bonito porque nós começamos a descartar tudo aquilo que está em volta da nossa verdadeira natureza, da nossa natureza búdica. Esta é uma oportunidade muito interessante porque aqui sentado agora, zazen após zazen, você tem que observar que espécie de pensamento surge na mente. Que mente é esta, porque estes pensamentos e conteúdos que aparecem é aquilo que vocês verdadeiramente são. Então o zazen pode ficar difícil, porque de repente nós vemos a nós mesmos. Quem sou eu? Você é aquele conteúdo que está se apresentando porque você não é algo especial, você é um funcionamento, uma mente funcionando, um corpo funcionando. Como é que você se manifesta? Você se manifesta de acordo com aquilo com que você alimentou a sua mente, com aquilo que você colocou na sua vida dentro de você. Você não consegue evitar. Não tem como obstar isto. Este é o você que você construiu com aquilo que leu, com aquilo que amou, com aquilo que determinou, com os problemas que teve, com os planos que você está fazendo para o futuro. Estas coisas são as que vão aparecerTudo o que eu sinto é conteúdo da minha mente, é só a minha mente não é mais nada, porque se eu tirar o conteúdo todo da minha mente vai sobrar o que? Este lindo dia, este ar entrando pela janela, o sol lá fora, a respiração na almofada, a parede na nossa frente, e isto é perfeito. Torna-se imperfeito porque nós deixamos entrar todo o resto, todos aqueles conteúdos e são estes a verdadeira perturbação que nós temosVoltar. Este voltar para o momento presente é realmente difícil por causa de todos os conteúdos com que nós nos alimentamos. Por isto na vida real nós deveremos evitar também as coisas que entram na nossa mente e a alimentam de forma errada. São os filmes, os programas de TV, os vídeos etc, as conversas e todas as coisas que não são boas. Vocês já sabem que não são boas e são perturbações, conteúdos que não constroem felicidade para você, mas nós somos muito viciados neles e então nós vamos procurá-los porque eles são prazerosos ou meramente interessantes. Até que você tenha uma mente imperturbável, você tem que evitar estas situações. Quando você tem uma mente que não deixa entrar os sentimentos você pode assistir a um filme vendo apenas o filme, sabendo que é meramente fantasia e não sentindo abalos. Se você não os tem, se os sentimentos conseguiram ficar de fora, então você está pronto para ver. Agora enquanto você assistir e ele o influenciar então a sua mente não está livre ainda. Você ainda é alimentado, arrastado por aquelas coisas. Quando você vê alguém no filme, um personagem que está procurando vingança e torce por ele, enquanto você sente esta satisfação no lugar dele a sua mente não é livre. Você é arrastado por aquilo que está vendo. Então se você é arrastado por aquilo que está vendo tem que evitar tudo o que arrasta.Por isto em um retiro a gente faz um modelo. Este modelo é não alimentar a mente com nada. Então zero notícias, zero leituras que não sejam o Dharma, zero conversas, zero músicas, nada. Os sons que nos chegam já são suficientes quando vocês estão sentados no zazen, já tem de madrugada os animaizinhos que correm em cima do telhado, depois os cantos dos galos, as cigarras. As coisas estão bem quando você ouvir estes sons e sentir grande alegria como se fossem presentes. Estar aqui parado, sentado, que lindo o som desta cigarra começando a tocar, parece um prazer. Aí você está bem porque você está realmente ouvindo a cigarra. Se tivesse uma televisão na sala nós ignoraríamos a cigarra, nós não estaríamos aqui de verdade.Nós somos um com o universo inteiro mas não o sentimos Não percebemos assim. Nós nos sentimos como? Separados, cada um sentado na sua almofada. Por isso em retiros zen a gente faz tanta pressão no sentido tudo junto, tudo junto. Não pense, não decida, não faça, vá junto com o fluxo, obedeça sinais sonoros, comece as coisas na hora junto com todos, termine junto com todos, faça reverência junto com todos, não cogite, não ache bom, não ache ruim, faça junto, só isto. Para que? Para voltar, voltar para nós mesmos porque nós nos perdemos de nós mesmos com os nossos pensamentos. Se nossa mente estiver silenciosa então há espaço para a unidade. O homem cansa, a gente cansa e então surge o espaço para a gente perceber a Vida-universal. Quando vocês estão em zazen prestem bem atenção, às vezes o sono começa a tomar conta e naquele momento que o sono está chegando se a gente não se entrega para o sono e abre os olhos, aquela mente que vem a ser um pré-sono ela é uma mente muito especial, muito vazia, então este é um bom momento de agarrar aquele estado. Mas se você deixar que o sono se instale aí você dorme e entram outras fantasias. São as fantasias dos nossos sonhos que também manifestam o conteúdo da nossa mente. Então enquanto estamos fazendo zazen estamos sonhando acordados e se nos libertarmos do sonho então poderemos ver a perfeita felicidade e é a percepção da Vida-universal, da unidade. Quando percebemos isto, nosso verdadeiro eu, então nos sentimos muito, muito bem e aí desejaríamos não sair daquele estado nunca. Mas quando surge este sentimento, este sentimento também é uma armadilha porque é armadilha ficar neste estado prazeroso. E este estado prazeroso a gente começa a atingir na prática, mas também não deve se agarrar a ele, tem que ir mais longe.E por isto na Escola Soto, Dogen já ensinou assim: sente, sem procurar atingir a iluminação, só pratique aqui sentado porque já é uma mente iluminada a mente sentada ou tem grande potencial de ser. Não tente alcançar nada porque se você ambicionar alcançar isto também vira outra armadilha. Uma mente aquisitiva, um materialismo espiritual, a tentativa de obter algo para si mesmo. Não precisa. Só sente e olhe, mais nada.Às vezes a palavra zen é muito mal usada. Quando dizemos, esta pessoa é zen. Não. Zen também é encontrar a infelicidade, o sofrimento, então devemos andar dentro do sofrimento completamente. Saber sofrer também é a prática do zen. Entender a infelicidade completamente, percebê-la inteiramente. O pensamento que vem com ela, o sofrimento que vem com ela, a angústia que vem com ela também.


Retirado do Blog O Pico da Montanha

Monge Genshô (palestra em sesshin)

sábado, 8 de maio de 2010

A Natureza da Mente




A verdadeira experiência da natureza essencial da mente está além das palavras. Querer descrevê-la é como a situação de um mudo que quer descrever o sabor de um doce em sua boca: ele não tem um meio adequado de se exprimir. Mesmo assim, gostaria de oferecer algumas idéias que aludem a esta experiência:

A mente é o que pensa, "Eu sou", "Eu quero", "Eu não quero"; é o pensador, o observador, o sujeito de todas as experiências. Eu sou a mente. De um ponto de vista, esta mente existe, já que eu sou e eu tenho a capacidade de ação. Se eu quero ver, eu posso ver; se eu quero ouvir, eu posso ouvir; se eu decido fazer algo com minhas mãos, eu posso comandar meu corpo, e assim por diante. Neste sentido, a mente e suas faculdades parecem existir.
Mas se buscarmos por ela, não podemos encontrar qualquer parte dela em nós, nem em nossa cabeça, em nosso corpo ou em qualquer outro lugar. Então, desta outra perspectiva, ela parece não existir. Portanto, de um lado a mente parece existir, mas por outro lado não é algo que verdadeiramente exista.
Por mais exaustivas que sejam nossas investigações, nunca seremos capazes de encontrar quaisquer características formais da mente: não tem dimensão, nem cor, forma ou qualquer qualidade tangível. É neste sentido que ela é chamada de aberta, porque é essencialmente indeterminada, desqualificada, além do conceito e, assim, comparável ao espaço. Esta natureza indefinível é a abertura que nos faz experienciar a mente como um "Eu" que possui as características que habitualmente atribuímos a nós mesmos.
Mas devemos ter cuidado aqui! Dizer que a mente é aberta como o espaço não é reduzi-la a algo não-existente, no sentido de ser não-funcional. Como o espaço, a mente pura não pode ser localizada, mas é onipresente e permeia tudo; ela abraça e permeia todas as coisas. Acima de tudo, ela está além da mudança e sua natureza aberta é indescritível e atemporal.

Kalu Rinpoche